CAMD – AULA 02: MEIO E MENSAGEM

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    Imagine a cena: você, um rei em seu castelo, resolve escrever uma mensagem para um reino distante. Você rapidamente começa a ditar o texto para um escriba (afinal, você não sabe ler nem escrever). A frase é a seguinte. ‘Quero paz, não guerra’. A mensagem é lida, guardada, e entregue a um mensageiro. Ele atravessa o reino, durante dias, enfrentando chuva, guerra, ladrões e toda a sorte de infortúnios. Ao chegar ao reino vizinho, outro escriba lê a mensagem para seu rei: ‘Não quero paz, quero guerra’.

    Moral da história: quantos problemas você consegue identificar no conto acima? Não se espante, mas durante muito tempo a mensagem era passada assim. A comunicação à distância era um sonho distante. Para se ter uma idéia, a primeira invenção realmente eficiente só acontece em 1844 com Samuel Morse. Ele cria um aparelho dotado de reproduzir através de sons pulsos eletromagnéticos, e com ele acaba criando uma série de códigos para interpretar frases inteiras, que acabou sendo chamado de Código Morse. Este código, inclusive, salvou muitas vidas. Temos o exemplo do americano Jeremiah Denton, soldado que ficou conhecido por, em plena guerra da Coréia, piscar em código Morse a palavra ‘tortura’ em cadeia mundial de televisão, no momento em que ele era exibido como troféu pelos seus capturadores. O mesmo vale para o famoso SOS, universalmente a maneira de se dizer socorro. Já naquela época era comum abreviar palavras, pois poupava-se tempo e dinheiro. Ou seja, o internetês não é coisa nova de fato (entende-se por internetês a maneira ‘d kra tc no msn, flow? ;-)) V6 entend??? ’). Por exemplo, vocês sabem o que quer dizer ‘LIOUY’? No bom português: por que você não responde as minhas mensagens?

    A primeira frase recebida no telégrafo foi ‘que obras Deus têm feito’. Já a frase mais famosa do telefone foi ‘meu deus, isto fala’! Teria sido proferida por aquele que seria o maior patrocinador de Grahan Bell, inventor do aparelho: D. Pedro II, imperador do Brasil. Inclusive, uma das primeiras linhas de longa distância é precisamente Rio de Janeiro a Petrópolis (terra de Pedro), residência de inverno da família imperial.

    Mas o invento não ficou apenas reservado ao monarca. Chegou ao ponto de centenas de usuários terem o telefone ao mesmo tempo, e para completar a chamada, era necessária a presença da telefonista, que cruzava os fios ligando um telefone a outro e, pasmem, ficava ouvindo a conversa para saber a hora certa de desligar a ligação! Se você acha que hoje a privacidade é vista como algo complicado de se ter, olhem para nossos avós usando telefones! Para nossa felicidade e nosso sentimento efêmero de privacidade, o aumento significativo de assinantes levou as telefonias a inventarem um jeito eletrônico de completar a ligação. De novo, surge a figura de Morse: Através da identificação do pulso, o telefone completaria automaticamente seu chamado, bastando apenas teclar o número correspondente ao assinante. Abaixo, um ‘documentário didático’ exibido na época nos cinemas, explicando como funcionaria o novo serviço:

    um novo serviço, o Dial!

    Interessante notar como já estamos acostumados a estes sons, como se a gente já tivesse nascido sabendo. É o que chamamos de inconsciente coletivo, aplicado às tecnologias. Por exemplo, você não lembra da luz até sentir falta dela. Quem tem NET, sabe que quando a luz acaba, sua comunicação com o restante do mundo acaba junto. E é uma sensação de volta à era das cavernas, um vazio…

    O mesmo se reflete ao celular. Inventado em 1973 por Martin Cooper, um engenheiro da então estreante Motorola, o telemóvel tem a vantagem de andar com você onde você estiver. Abaixo, um dos primeiros comerciais de celular exemplificando:

    Como a mulher do cara morava longe! Buscou ela de barco e tudo…

    E continuando, um comercial que mostra a evolução do celular.

    Tem desde o ‘Tijorola’, mas já faltam vários modelos

    E pra finalizar, o que o celular se tornou.

    Ou seja, faz tudo, e por acaso, faz ligações. O telefone hoje tem tantas funcionalidades que algumas do seu aparelho talvez você ainda desconheça. Digo diretamente você porque hoje é quase impossível alguém não ter celular. Ter celular significa que você está no mundo, e sair sem ele é como sair ‘pelado’. Meu Deus, e se alguém me procurar? É capaz de estarem ligando pro IML ao chegar em casa. É símbolo de status (colocam-se celulares para exibição nas mesas dos bares como se fossem pistolas no velho oeste). Ou seja, uma ferramenta que através do número te define como alguém a conectar-se no mundo. Costumo dizer aos meus alunos de publicidade que quem aprender a colocar sua marca nos celulares, ficará rico, pois é a única mídia que anda no bolso das pessoas, e que elas não querem se desfazer nunca.

    Para fechar, um interessante vídeo de uma mensagem passada via SMS e via telégrafo ao mesmo tempo. Adivinha qual é a primeira a chegar?

    Aos meus queridos alunos de CAMD: Faça uma resenha apontando sua experiência pessoal com telefones, como você encara esta mídia e como ela deve ser encarada pelas próximas gerações. No final, tente responder a seguinte pergunta: podemos ser definidos por uma mídia, ou apenas é mais uma ferramenta de consumo, e é o consumo que nos define como um todo? É complexo, mas vejamos as respostas. O prazo máximo para entrega é 11/11/2010. Bons estudos!

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