CINECLUBE ESTÁCIO BH APRESENTA PLEASANTVILLE

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    Pleasantville (A vida em preto e branco – 1998)
    Direção: Gary Ross

    ‘Pleasantville’ é um daqueles filmes que você assiste pela premissa de ‘filme leve e situação divertida à vista’, mas ele é mais do que isso. Escrito e dirigido em 1998 por Gary Ross, chamou a atenção pela sua beleza estética ao colocar na mesma cena personagens em preto e branco e coloridos, mas volto a afirmar que não se trata de apenas isso. As cores, segundo Israel Pedrosa (anotem: ‘da cor a cor inexistente’, livro obrigatório para entender cor) passam sentimento, são peças importantes para suscitar emoções. Ainda segundo Pedrosa (1977), “a cor exerce ação tríplice: a de impressionar, a de expressar e a de construir: a cor é vista: impressiona a retina; a cor é sentida: provoca emoção; e finalmente a cor é construtiva, pois tendo um significado próprio, possui valor de símbolo, podendo assim, construir uma linguagem que comunique uma idéia, que pode ser de leveza, alegria, sobriedade, etc”.

    Ou seja, depois desta breve explanação sobre o significado da cor, vamos ao filme, onde 80% é preto e branco(!). Se fazer um filme quase todo preto e branco já é uma audácia no atual cinema (‘A lista de Schindler’ e ‘Touro Indomável’ que o digam) este filme vai esteticamente além remetendo o uso da cor a mundos distintos, remetendo contemporaneidades e tradições, American Way of Life, sua alienação e seu declínio, Geração MTV e sua também alienação. Ou seja, modismos e maneiras se se pensar e fazer são confrontados neste filme, e o diretor faz uso da cor ou da falta dela para explicar didaticamente como funciona o processo de mudança de comportamento dos personagens.

    O preto e branco é representado em toda sua essência no fictício seriado de TV sessentão Pleasantville, seriado este que o personagem ‘nerd David’ de Tobi Maguire (antes do sucesso ‘Homem-Aranha’) é viciado. Sua irmã, a patricinha fútil Reese Witherspoon (antes também de ser conhecida por ‘Legalmente loira’),quer ver com o namorado a MTV na mesma TV. Os irmãos brigam, o controle remoto é quebrado e um misterioso técnico surge para consertá-lo. Em vez disso, os teletransporta para dentro do seriado predileto de David. Só pela sinopse, o filme valeria o Framboesa de Ouro, e estaria condicionado fatalmente à sessão da tarde, e é só. O único filme que Gary Ross fez digno de nota após ‘Pleasantville’, ‘Seabiscuit – alma de herói’ já está lá na sessão da tarde… Mas como disse anteriormente, ele é mais do que sua sinopse. O mundo preto e branco de Pleasantville é um hermético jardim do Éden, onde não se conhece o pecado, não existem privadas porque ninguém usa o banheiro, não existem camas de casal, não chove, o café da manhã é hipercalórico e bombeiros apenas tiram gatos de árvores.

    O que vem a seguir com a visita dos adolescentes dos anos 1990 é a deturpação da ordem, e tudo vai ganhando cor à medida que este modo de vida vai sendo questionado. O interessante é que os irmãos também estão em preto e branco, e suas ações de transformação da sociedade não os fazem coloridos, mas suas ações em favor de mudarem a si próprios. Ou seja, se a cidade mudou, é obra de ações individuais de questionamento, e não apenas e simplesmente por influência.

    Teríamos milhões de sessões de psicanálise para mostrar isso que o filme mostra em pouco menos de duas horas. E é esta sutileza, talvez não notada nem pelo diretor/roteirista deste filme, que me impressiona. Sua capacidade de deixar uma mensagem tão importante usando efeitos especiais, ‘colorindo’ literalmente seus personagens, dando-lhes um novo sentido. Numa época em que o efeito especial é usado para seduzir esteticamente, não conferindo ou acrescentando nada à trama, ter um filme como ‘Pleasantville’ é um verdadeiro milagre.

    Alunos da Estácio, não deixem de conferir ‘Pleasantville’ no Cineclube Estácio BH, dia 30/09 (quinta) em duas sessões: manhã (8hs) e noite (19hs). Para o mês que vem o Cineclube traz ‘Mais estranho que a ficção’. Depois do filme, postem suas impressões por aqui!

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