PARA PAIS E PROFESSORES: O QUE É O PICSEL?

Bom, primeiramente, obrigado por baixar nosso livro! Ele é fruto de um anos de trabalho do nosso esforçado grupo de pesquisa. Espero que gostem.

NOSSO PROJETO

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O que é:
Desenvolvimento de livro-jogo virtual e interativo (para tablets) com temática social para estabelecer diálogos com crianças contemporâneas.

Em detalhe, é:
O livro-jogo é uma espécie de livro com uma história não linear. Ou seja, ele permite desdobramentos de acordo com as escolhas que o leitor vai realizando ao longo da leitura. Similar a um RPG solo, o leitor não precisa de instrumentos à parte (dados, fichas de controle, cartas) para jogá-lo. A história se desenvolve de acordo com as consequências das escolhas feitas pelo leitor (ex.: ir para direita, página 20; ir para a esquerda, página 12; conversar com fulano, página 04; etc).

A ideia é produzir quatro livros com temática socioeducativa associada (Bullying, Consumismo, Meio Ambiente & Sustentabilidade e Relações com a Tecnologia). O objetivo principal dos livros é abordar estes temas de forma leve, introdutória (não-educativa ou com ‘moral da história’), através de uma narrativa dinâmica, interativa e imersiva, estabelecendo um diálogo inicial à partir de uma linguagem e formato mais adequados às crianças de hoje.

PICSEL

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Picsel é o primeiro dos quatro livros que iremos produzir. Seu tema é a ciberinfância. Trata-se do conceito de que a criança está cada vez mais relacionada às tecnologias, ‘abandonando’ à princípio práticas de convivência adotadas pelas gerações anteriores.

É muito comum vermos, no dia a dia, pais e tutores expressando opiniões contrárias à utilização de tecnologia – como Smartphones e Tablets – por crianças, como se estes fossem nocivos à sua formação. No caso do livro sobre tecnologias, nosso objetivo gira em torno de agir sobre esse prisma, integrando educador, tecnologia e criança. De acordo com a narrativa do primeiro livro, a história gira em torno de divergências entre a criança (Picsel, um tablet), seu avô (Jornal) e seu pai (TV), criando um diálogo entre as gerações, integrando o tutor e a criança, e sugerindo que uma solução possível para o conflito é a imersão e o respeito ao universo/mundo de cada indivíduo.

Em um levantamento prévio, baseados em pesquisas de imersão e background, constataram-se algumas TAGs (eventos que estavam sempre em pauta nas discussões acerca da ciberinfância):

  • A criança como escolhedor do que quer ler ou aprender: ele seleciona a informação, os pais devem agir como norteadores morais, não apenas como sensores ou entregadores da mensagem.
  • Ponto interessante: 20% acham que a educação digital deveria ser papel da escola! mas 49% faz uso da internet em sua casa. Abandono da obrigação?
  • A escola não está sabendo lidar ainda com a inclusão digital.
  • É consenso que quase todas as crianças procuram a internet para jogar ou para ver filmes infantis (e sob demanda deles próprios).
  • Conceito de infância delimitado por mídias: cada agente, no seu tempo de criança, lidou com mídias como extensões de sua cultura.
  • Faltam atividades na internet que dialoguem especificamente com crianças.
  • Computadores e internet como extensões de si mesmos;
  • Com a ciberinfância o adulto deixa de ser o detentor do conhecimento. A criança assimila muito mais rápido o conhecimento, e é consciente do seu poder de autoaprendizagem.
  • Com a inversão propiciada pela ciberinfância, a hierarquia pai-filho está ameaçada segundo alguns; por outro lado, o laço estreitou-se.

Em suma, não é dever do livro dar uma ‘moral da história’, ou mesmo oferecer parâmetros para uma educação seguindo nossa retórica. Trata-se apenas de uma ilustração possível de um prisma, para um diálogo mais espontâneo e menos paradigmático. É salutar tratarmos deste assunto sem apontar maniqueísmos, pois a tecnologia nos oferece uma série de caminhos. E não adianta mais negar sua existência entre as famílias e mesmo no espaço da sala de aula: ele não tem mais volta, e nega-lo automaticamente causa uma quebra na relação e um retrocesso.

Nós, do grupo de pesquisa da Puc Minas, Graduação Tecnológica em Jogos Digitais e Produção Multimídia, esperamos humildemente que este livro sirva com ilustração de um produtivo diálogo entre as famílias e tutores.

Muito obrigado pela atenção. Contribuam com comentários por aqui, a opinião de vocês é muito importante!

Prof. Dr. Marcelo La Carretta
Organizador e orientador do Projeto