INTERATIVIDADE COM VÍDEOS: SIM, AGORA VOCÊ PODE!

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    Longe de ser uma experiência nova, os vídeos interativos estão ganhando espaço pela internet.  Mas quem jogava videogame na metade da década de 1990 lembra bem dos vídeos interativos, chamados de Full Motion Video. Era uma técnica que misturava filmes (a maioria de qualidade duvidosa) e interatividade. Com a falsa promessa da revolução multimídia, modismo lançado com o aparecimento no mercado de mídias a laser como o CD e o LaserDisc, o Full Motion vídeo é considerado o gênero de pior aposta no mercado dos games. Muito caro para produzir, vídeos com compactação ainda sofrível, mídias ainda incipientes (caso de LaserDiscs) e jogabilidade abaixo da crítica. Alguns críticos nem o consideram um gênero de videogame pela sua baixa interatividade, e empresas que apostaram em seu sucesso perderam milhões. Interessante notar que um ‘FMV repaginado’ anda ganhando força nos dias de hoje, agora sob a alcunha de vídeo interativo, e em plataformas como o Vimeo e o YouTube. Exemplos desta tendência não faltam, desde um RPG solo (no melhor estilo do saudoso programa da Globo Você Decide, ou da série da Ediouro Enrola e Desenrola), passando por um Street Fighter e um Batman desafiando o Curinga em um Breakdance, até coisas bizarras como o Terry ‘Pai do Cris’ Crews tocando música com os músculos. Você escolhe.
    Vai encarar?
    Mais interessante ainda do que apenas escolher destinos dos vídeos dos outros é a possibilidade de você mesmo criar seu vídeo interativo, uma aposta antes impensável na época do FMV. E é mais fácil do que se imagina. Graças à possibilidade recente de adicionar comentários (e links) nos vídeos do YouTube, é tarefa simples criar a sua própria história interativa. Antes, porém, é preciso tomar certas precauções com o formato. Vamos então a umas regras e dicas:
    Roteiro:
    Primeiro defina sua história. Ela não pode ser linear; ou seja, precisa ter várias vertentes. Listamos aqui algumas possibilidades:
    • Um caminho com finais alternativos (como o Você Decide).
    • Um caminho construído de acordo com as escolhas (este um dos mais próximos de um RPG convencional, chamado de livro-jogo/aventura solo).
    • Uma linha de caminho única e vários desvios (como um quiz ou um personagem que se perde e deve ser guiado para concluir a história).
    • Uma história onde apertar o botão na hora certa define o resultado (o botão estaria em modo randômico, guiando para diversos vídeos de acordo com a hora em que o mesmo é apertado).
    • Criar um vídeo inteiro e especificar através dos links qual parte ele irá exibir (ou seja, links que levam ao mesmo vídeo, só que em momentos diferentes). O brasileiro Mistery Guitarman é um bom exemplo para vídeos assim.

    Definir o número de vídeos que você necessita para cobrir todas as possiblidades é essencial. Crie um organograma (mesmo que à mão), puxando setas que representem os hiperlinks que vão para os vídeos. Criara um organograma é passo fundamental para entender com a trama funciona, pois quem deve ter uma surpresa ao apertar o botão é o seu visitante, não o programador.
    Faça os botões de interatividade no Photoshop e cole-os ainda na edição do vídeo. O YouTube cria apenas uma área para delimitar o link, não oferecendo botões customizáveis. Visto fora do site, seu produto finalizado será apenas um vídeo com uns botões mixados na tela. Não é uma dica obrigatória, já que um dos maiores filmes interativos brasileiros do YouTube abre mão de botões customizáveis, ficando com os ‘feinhos’ oferecidos pelo site mesmo.
    Dica importante: crie botões com todas as possibilidades de interação, inclusive a de voltar ao início no caso de um ‘Game Over’.
    Para definir o tempo de duração de cada vídeo, tenha em mente que o jogador vai ver seu vídeo, mas não necessariamente irá apertar o botão na hora certa. Depois da ação, reserve um espaço do vídeo para este momento: faça seu personagem convidar (ou mesmo intimar) o usuário a apertar o botão, ou o faça perder a paciência. No final, pode ter um ‘Time Over’, se seu projeto propõe um tempo estimado para pensar sobre qual botão apertar.
    Exporte todos os vídeos separadamente. Crie pequenos clipes para cada vídeo que faça parte do seu organograma.
    Outra dica: interatividade nem sempre combina com qualidade de imagem. Faça um teste em uma máquina lenta para saber o tempo de visualização do vídeo, pois a interatividade em um vídeo ‘agarrado’ cai por água abaixo. Ás vezes pode ser uma boa saída diminuir um pouco o tamanho do vídeo antes de postá-lo, para aumentar a sensação de interatividade. O antigo FMV citado já fazia este truque, pois os leitores de CD/LD da época exigiriam um loading enorme entre cada vídeo se estes tivessem qualidade total.
    Vencendo essa etapa e com os pequenos vídeos prontos, vá para o YouTube. Crie uma conta (se você ainda não a tem) e poste seus vídeos, tentando criar códigos para batizá-los (tipo ‘vídeo onde o personagem morre’ será ‘gameover001’, ‘vídeo onde o personagem ganha’ será ‘youwinA’,  etc). Isso ajuda a entender o organograma e seus links.
    Mais uma dica: não deixe que sua história tenha todos os seus links de desdobramento visto por todos (torná-los públicos). Existe no YouTube a possibilidade de configurar seu vídeo para que ele só seja visto por pessoas que possuem o link correto. Faça isso em todos os vídeos menos no primeiro, este sim o chamariz principal da sua história. Fora que isto aumenta o suspense, já que o usuário não sabe quantos vídeos estão disponíveis nesta história.
    Agora, a hora da mágica. Com o vídeo já no YouTube, vá para ‘meus videos’, selecione o vídeo que receberá o link e clique em ‘editar’:
    Clique na aba anotações. Temos várias opções na lateral. São elas:
    • Balão de diálogo – cria caixas pop-up de texto
    • Observação – insere texto explicativo
    • Título – bom, o nome já diz. Caso você tenha esquecido de inserir um nome ao filme, o que acho improvável.
    • Destaque – para realçar áreas de um vídeo (como botões criados previamente e mixados no vídeo); quando o usuário clica com o mouse sobre essas áreas, surge o link.
    • Gravadora – cria um rótulo para anunciar e dar créditos a uma parte específica de seu vídeo.
    • Pausa – para pausar o vídeo pelo tempo que você especificar.

    A Timeline da edição de anotações. Pode-se inserir qualquer coisa em qualquer tempo determinado do seu vídeo

    Lembrando que praticamente todas estas opções suportam links. Ou seja, para montar o seu vídeo interativo, basta importar todos para o YouTube e linká-los através destas anotações. Entre no tutorial do YouTube se tiver mais dúvidas sobre o uso destas ferramentas.
    Vídeos interativos ao alcance de todos. E você, vai fazer o seu?

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