PAPER TOY: CRIANDO DESIGNS FANTÁSTICOS ‘BRINCANDO’

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    Confesso: era uma criança pobre, mas extremamente criativa. Lembro de brincar com papéis que simulavam todos aqueles brinquedos que não podiam ser comprados, e que estes brinquedos de papel eram inclusive invejados por outras crianças – afinal, podia ter qualquer brinquedo que me desse na telha, bastava criá-lo.
    O mesmo valia para Videogames: O Ryu, por exemplo, era feito em todas suas poses em um guardanapo. Todos os personagens tinham seus golpes registrados em outros guardanapos. O cenário era feito com esmero, e estes guardanapos eram colocados estrategicamente sobre este cenário. E jogava-se um dado com as faces ‘you win’ e ‘you lose’; e com o resultado, simulava-se ‘a luta entre os oponentes. Era uma febre na hora do recreio, uma grande alternativa às filas e fichas caras do Street Fighter II (década de 1990, gente).
    Bom, o tempo passou, os desenhos sumiram (como gostaria de tê-los guardado), e hoje sou um adulto. Bom, continuo fazendo a mesma coisa que antes, mas hoje sei que aquelas folhas de guardanapo eram minha versão dos sprites do jogo (termo correto), e que de forma inconsciente os criei da mesma forma que eles são criados por designers de jogos. E que aqueles bonecos de papel adaptados (e melhorados) do Wolverine, por exemplo, eram na verdade ToyArts brincáveis, minha expressão artística em uma época que nem sabia o que era isso.

    Sprites ‘de verdade’ do Ryu

    Acho que é um sinal de que hoje estou na profissão certa, e talvez por isso eu seja tão apaixonado pelo que faço. Na verdade, quando brincava com estes papéis a própria expressão ToyArt nem existia. Somente em 1998 viria pela primeira vez este termo, cunhada para exemplificar o trabalho de Michael Lau. Quando este artista de Hong Kong colocou pela primeira vez uns bonecos Falcon ‘tunados’, ninguém entendeu. Hoje, exemplos como o do jogo Little Big Planet mostram que esta customização é bem vinda.
    Mas ToyArt está mais para colecionismo do que para brinquedo. Para começar, ele é feito por adultos em sua maioria. É tido, assim como o Pixel Art, como uma das expressões artísticas que mais denotam o legado deixado por nossa ‘contemporaneidade de massa’.
    Bom, mas em uma era de prosumers, qualquer um pode criar Paper Toys, por exemplo? Lógico que sim. Basta ter algumas dicas, entender de recortar e colar, e paciência com dobras minúsculas. É uma espécie de tela de pintura em 3D, como outros conceituam. E hoje com a internet nem é necessário conhecimento de dobradura para criar o seu próprio Paper Toy. O excelente site Paper Criters oferece em Flash uma plataforma totalmente amigável para você criar o seu próprio PaperToy. Depois, basta imprimir e montar.
    Outro projeto que merece destaque é o do japonês Shin Tanaka. Ao mandar um e-mail, ele disponibiliza o template em Paper Toy BOXY. A idéia deste designer é a seguinte: receba e customize um BOXY, tire uma foto dele na parte do mundo onde você está e ele postará seu boneco com outros do mundo inteiro. É como povoar o planeta de BOXYs, numa espécie de harmonia psicodinâmica.
    Eu fiz parte deste projeto (segue link), seguem algumas fotos deste trabalho.
    Agora meu BOXY está na frente do meu computador. É meu lembrete de que assim como ele, faço parte de um mundo que apesar de não parecer sempre tenta entrar em sincronia. E meu lembrete também de que tive a melhor infância do mundo, e que nunca se pode renegar suas origens e seus gostos pessoais no seu trabalho, sob pena de ter para sempre um trabalho infeliz.

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    Fontes:http://www.littlebigplanet.com/pt/
    http://www.michaellau-art.com/intro.html
    http://www.papercritters.com/
    http://shin.co.nr/ (procurar por make your own Boxy)

COMMENTS

3 Responses to Paper Toy: criando designs fantásticos ‘brincando’

  • Marcelo La Carretta wrote on March 5, 2011 at 12:54 //

    Postem suas impressões aqui!

  • Johnd693 wrote on July 1, 2014 at 11:07 //

    Hey esto es un gran poste. Puedo utilizar una porcin en ella en mi sitio? Por supuesto ligara a su sitio as que la gente podra leer el artculo completo si ella quiso a. Agradece cualquier manera. debegkedkakf

  • Marcelo La Carretta wrote on July 2, 2014 at 10:45 //

    Si por supuesto. Señalando el autor, a la voluntad. Gracias.

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