AFINAL, O QUE É GESTALT?

  • AUTHOR: // CATEGORY: Uncategorized

    1 Comment

    Algo que sabemos mas não usamos, ou algo que usamos mas não sabemos?

    Começo o post com esta pergunta, pois muitos usam Gestalt na verdade sem perceber. O maior erro do aspirante a designer é o famoso ´fiz assim por achar melhor´, ‘ou não sei por que, mas mais pra direita funcionou melhor’. Neste meio, saber conceituar virou referencial de mercado. É o que separa adultos de crianças. Ou melhor, é o que te difere do sobrinho do dono, aquele moleque hiper esperto em programinhas de computador que é apresentado a você sempre que você faz um orçamento cujo valor para o cliente é exorbitante (ou seja, praticamente sempre). Não importa o valor do seu trabalho, sempre estará por perto este sobrinho do dono, alguém que seu cliente irá citar no melhor estilo: ‘mas por que este valor e este prazo, se o meu sobrinho faz por menos da metade do preço e em três dias?’
    O designer então nunca pode dizer que achou seu trabalho ‘bonito’. Deixe o achismo para os outros, você simplesmente sabe que o seu trabalho é bom porque ele é fundamentado, foi pensado. É a melhor maneira de encará-lo, pois a frustração no caso de um conserto daqui ou dali ou mesmo uma reprovação é muito menor. Já vi designers passionais quase chorarem ao ver seu trabalho ‘corrigido’ pelo cliente. Na maioria deste casos, o designer se envolveu emocionalmente com o trabalho, e não o conceituou para entendê-lo porque ele mesmo o achou tão bonito.

    Entendo a princípio o Gestalt como um grande roteiro: assim como roteirizar histórias e saber de planos de câmera não matam um filme (pelo contrário), saber das leis que regem nossa percepção visual não matam nosso sentido criativo.

    A saber, são três os níveis de ‘alfabetismo visual’:

    – Imput visual ou simbólico (leitura do signo): “sabemos que a letra ‘a’ é um ‘a’ porque fomos treinados para isso”

    – Representação: Aquilo que interpretamos como real, lembrando que por mais detalhada que seja a representação, nunca será a realidade e sim a percepção da mesma;

    – Abstratismo: Aquilo que enxergamos emocionalmente sobre o real (pra mim, a melhor definição sobre isso que já vi na vida).

    Não é necessário ser um desenhista para entender estes níveis. A percepção destes níveis nasce pura e simplesmente do seu entendimento. Bom, sobre Gestalt deixo aqui um excelente link que sintetiza bem o que estou dizendo: (http://design.blog.br/design-grafico/o-que-e-gestalt/). Não preciso dizer mais nada, o que é preciso saber conceitualmente sobre Gestalt está aqui.

    Agora, se a Gestalt é baseada em experiência sensorial, não é melhor ver a Gestalt do que conceituá-la? Olhe o magnífico cartaz de James Brown feito por Sergio Moctezuma (http://www.moctezumacreative.com/)

    CGW_G68-BrownPost-MM.ai
    Segundo Luli Radfahrer, este cartaz acima sintetiza melhor do que muita aula teórica os exemplos da Gestalt. Vamos à análise feita por ele (disponível na íntegra em http://www.luli.com.br/2007/05/22/aprenda-gestalt-com-james-brown/):

    ? EMERGÊNCIA: O rosto aparece por inteiro, depois identificamos suas partes. Ao contrário de um texto escrito, não se vê pedaços de uma imagem que, aos poucos, compôem um todo.
    ? REIFICAÇÃO: O rosto é construído pelos traços que se formam nos espaços entre as linhas e letras (repare a franja). Eis um excelente exemplo da importância dos espaços em branco (vazios) no desenho de uma página. Eles dão suporte para os outros elementos.
    ? PERCEPÇÃO MULTI-ESTÁVEL: Em uma composição bem-feita, a visão não “pára” em um lugar. Perceba como você olha para o rosto, o nome, o fundo. ISSO é interatividade, muito mais interessante que um pop-up ou qualquer outra chatice publicitária.
    ? INVARIÂNCIA: As letras são reconhecidas e podem ser lidas, pouco importa seu tamanho, distorção ou escala.
    ? FECHAMENTO: Tendemos a “completar” a figura, ligando as áreas similares para fechar espaços próximos. É fácil ver as bochechas, a língua (escrita “soul”, genial) etc. É o mesmo princípio que nos permite compreender formas feitas de linhas pontilhadas.
    ? SIMILARIDADE: Agrupamos elementos parecidos, instintivamente. Perceba que, por mais que você tente evitar, o rosto se destaca do fundo, mesmo sendo da mesma cor.
    ? PROXIMIDADE: Elementos próximos são considerados partes de um mesmo grupo.
    ? SIMETRIA: Imagens simétricas são vistas como parte de um mesmo grupo, pouco importa sua distância. É o que forma o fundo – e o separa do rosto.
    ? CONTINUIDADE: Compreendemos qualquer padrão como contínuo, mesmo que ele se interrompa. É o que nos faz ver a “pele” do sr. Brown como algo contínuo, mesmo com todos os “buracos” das letras.
    ? DESTINO COMUM: Elementos em uma mesma direção são vistos como se estivessem em movimento e formam uma unidade, como se percebe na “explosão” que acontece no fundo do cartaz.

    Concordo (e muito) com Luli. Mas o problema que vejo hoje da Gestalt é que muita gente a aplica por instinto, sem entender certas lógicas, e muito se deve à forma pela qual ela é explicada. Sinceramente, aprendi Gestalt da melhor forma possível: sentado numa cadeira desenhando interminavelmente uma cadeira. Em um segundo momento não sua forma, mas sua contra-forma, ou seja, os ‘espaços em branco’. Quando ficava fácil, usávamos recortes de papel para construir a cadeira na folha de papel. Quando ficava mais fácil ainda, desenhávamos a cadeira numa aposta contra o relógio. E assim íamos desenvolvendo nossa percepção visual, espacial, enfim, toda a experiência sensorial que podemos ter sobre a representação do todo. Depois, usávamos estes desenhos para entender se de uma vez por todas entendíamos o que era Gestalt. E não raro chegávamos à conclusão que Gestalt não simplesmente se entende, se sente e compreende. Ué, então o que estamos tentando conceituar aqui? Que está na hora de pensar sobre o que se faz, deixando de ser, nas palavras de um amigo meu, ‘mero executante’. Não é saber a teoria e não aplicá-la, nem ser talentoso e criativo, mas sem conteúdo. Pensem nisso.

COMMENTS

1 Response to Afinal, o que é Gestalt?

  • Web Designer wrote on February 10, 2011 at 5:14 // Reply

    Gestalt e uma arte, que mostra um diferencial, utilizando as sobras dos objetos e desenhos,podemos abusar da nossa criatividades.A magia da crição, leva a gente por varios lugares.Abração

LEAVE A REPLY

FILL THE FIELDS TO LEAVE A REPLY. Your email address will not be published.