CINECLUBE ESTÁCIO BH APRESENTA: OBRIGADO POR FUMAR

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    Obrigado por Fumar (Thank You for Smoking, Jason Reitman, 2005)

    “Suponhamos que você defenda o sorvete de chocolate; eu, o de baunilha. Você dirá que o seu é a melhor coisa do mundo. Eu direi que a melhor coisa do mundo é poder escolher entre chocolate e baunilha.” Mas com isso você não me convenceu de que baunilha é melhor, reclama o filho. “Mas eu não quero te convencer, quero convencer ‘eles’ “- diz, apontando para as pessoas ao lado. Logo na cena seguinte, vemos o pai e seu filho tomando sorvete – de baunilha.

    Esta é uma das melhores cenas do filme Obrigado por fumar, longa de estreia do filho do diretor de Os caça-fantasmas Ivan Reitman, Jason. O diretor faria em 2007 Juno (sobre gravidez na adolescência), filme que o separaria definitivamente do estilo Blockbuster do pai.

    Logo no início também temos uma cena que ilustra bem o que está por vir na tela: convidado para um programa à la Márcia Goldsmith, o protagonista Nick Naylor (Aaron Eckhart) consegue convencer um auditório furioso e ainda aperta a mão de um garotinho com câncer. O que ele defendia? O cigarro, produto cada vez mais difícil de ser vendido impunemente hoje em dia. A profissão de Nick é ser lobista da indústria tabagista, uma tarefa que leva magistralmente. Ele é seguro, confiante, calmo, e dono de uma fantástica retórica. Partindo do argumento infalível do livre-arbítrio, pode convencer até esquimó a comprar geladeira, o que acaba gerando a infindável discussão sobre o consumismo na sociedade contemporânea. Consumimos porque precisamos ou somos sumariamente convencidos a consumir? Este inteligente filme nos leva à reflexão como poucos.

    Ganhador de parcos prêmios e de passagem discreta pelos cinemas, Obrigado por fumar tem um elenco secundário (tendo talvez como principal nome a esposa de Tom Cruise Katie Holmes, em uma das piores atuações de sua carreira). Holmes quase põe a perder o filme inteiro como a jornalista sedutora que faz Nick errar – primeiro por não lembrar uma jornalista, segundo por lembrar menos ainda uma pessoa sedutora. E pela descrição física que os personagens fazem da jornalista, nem parece que trata-se da atriz, tamanha a disparidade. O filme, pelo seu roteiro, merecia elenco melhor. Salvam-se desta crítica Rob Lowe (fazendo papel de um galã executivo de Hollywood, fácil), Robert Duvall (como um velho executivo, experiente e quase folclórico, mais fácil ainda) e JK Simmons (fazendo seu papel de sempre, um chefe ranzinza, assim como em Homem-Aranha e outros).

    Mesmo assim, vale muito a pena assistir Obrigado por fumar. Os fumantes sairão com leve sorriso nos lábios. E os não fumantes também, pois ambos sabem que estão neste ou naquele grupo por escolha. Aí temos a absoluta certeza de que, nesta sociedade, estamos realmente longe de decidir por nós mesmos.

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